sexta-feira, 16 de agosto de 2013

“Cine Holliúdy” traz o jeito cearense de fazer cinema e promete invadir o mundo

Protagonista Francisgleydisson
Protagonista Francisgleydisson é um típico cearense. Foto. Divulgação
Os cearenses, estes que, como dizem por aí, podem ser encontrados em toda parte, invadiram, também, os cinemas. No dia 9 de agosto, o longa-metragem “Cine Holliúdy”, dirigido pelo cineasta Halder Gomes, chega às telonas e traz ao público as desventuras deFrancisgleydisson, um apaixonado pela sétima arte que insiste em abrir uma sala de cinema no interior do Ceará, na década de 70 – época em que a televisão era a grande novidade nas pequenas cidades. “Não dizem que os cearenses vão dominar o mundo? Pois, então, vamos começar pelo cinema!”, brinca Halder, natural de Senador Pompeu, cidade do Sertão Cearense.
Ouça a entrevista completa com Halder Gomes e Edmilson Filho:

O filme, conta o cineasta, é um resgate de suas memórias de infância e daquilo que Hollywood representava para ele na época. “É uma Hollywood de pessoas que vivem no interior do Ceará, numa cidade perdida no meio do nada, mas que, mesmo assim, chega com sua influência.”, relata.
Veja trailer oficial do filme abaixo:
Inspirado no premiado curta “O Astista Contra o Caba do Mal”, Cine Holliúdy abusa do “cearensês” como elemento vivo de nossa cultura e tem em Francisgleydisson, interpretado por Edmilson Filho, um retrato do nordestino desbravador que luta por aquilo acredita. Para compor o personagem, Edmilson diz que ser cearense foi condição fundamental. “Ser do Ceará foi o meu principal foco de inspiração. Saber do que o cearense gosta, para que as pessoas se vejam na tela”, conta.
Apesar de quase estrangeiro de tão próprio da cultura local, o sotaque presente na película não parece ser uma barreira no diálogo com o público de outros estados e países. Exibida no Festival de Bangkok, a história de Francisgleydisson conseguiu arrancar gargalhadas da plateia tailandesa. “Eles conseguiram ver humor no que a gente fez”, afirma Edmilson, que mora em Los Angeles e já apresentou a Hollywood cearense aos amigos americanos. “Eles riem e gostam da mesma forma. O filme traz um tipo de humor que para eles é até inovador”, completa.
Em exibições fora do Estado, Halder costuma entregar à plateia um glossário de cearensês com palavras da nossa “gramática”. Segundo ele, isso causa uma aproximação maior do público com o enredo. “As pessoas guardavam com o maior carinho do mundo, discutiam as gírias na fila e ao final, saíam falando aqueles jargões”.
Filme virou febre nas redes sociais
O trailer oficial de Cine Holliúdy, que já conta com mais de 265 mil acessos, virou sucesso dentro e fora das redes sociais e vem dando os primeiros passos para repetir o êxito nas salas de cinema. A identificação imediata do público pode ser explicada pela forma como o cearense – e o nordestino, de maneira geral -, é apresentado no filme: longe de estereótipos e sotaques genéricos.
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Filme traz uma galeria de personagens característicos do interior nordestino Foto: Divulgação
“As pessoas se identificaram porque é diferente das tentativas de mostrar o cearense através de personagens que não têm nada a ver com o Ceará e com o Nordeste. Tentam inserir um sotaque que não é de ninguém em personagens com trejeitos que não pertencem a nenhum de nós.”, critica Halder. Para o cineasta, quando o espectador se reconhece na tela de forma legítima, assume, também, o compromisso de divulgador. “As pessoas se tornaram verdadeiros cabos eleitorais do filme.”, comemora.
Além de aspectos da cultura cearense, o filme traz um núcleo de personagens que cercam o universo de todo interior nordestino, como o cego Isaías, interpretado pelo cantor Falcão, que vai ao cinema acreditando ter ido assistir a um filme pornô e Lhé Gué Lhé, vivido pelo humorista João Netto, um bêbado que faz de tudo para conseguir beber de graça. “Outro dia, vi uma matéria na internet que o título era ‘Cine Holliúdy – Filme feito no Ceará, com a cara do Maranhão’”, comenta Edmilson. “É a verdade que o filme traz. Ele é muito verdadeiro em relação ao que a gente é, não só como cearense, mas como nordestino e até brasileiro mesmo”.
Fonte: verdinha AM

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